Monday, June 09, 2008

Boas músicas nunca se vão



Lembro que ouvia essa música no Madame Satã e tentava descobrir quem era o tal New Order atmosférico que o Marquinho MS tocava toda semana.
Como encarar a morte

Uma pessoa acaba de deixar esse mundo. A morte dela me pôs a pensar o quanto somos descartáveis e que estamos neste mundo para experimentar sensações diversas durante um período não estabelecido.

Encontrei a Clausa no sábado. No domingo à tarde recebo a notícia que ela havia falecido. Assim. Numa questão de horas ela sumiu fisicamente da minha vida, das minhas noites de sábado, de seu convívio familiar, do seu corpo. A vela se apagou. Virou-se a página. O livro que estava sendo escrito, encerra um capítulo, eterniza um personagem e me faz refletir.

Não acredito em destino, bem como não acredito em cartas marcadas. Acredito que posso não estar aqui amanhã, mesmo desconhecendo as razões disso. Sei que meus pais me deixarão ou mesmo que eu os deixarei, mas essa falta de controle não me faz bem.

Razões para viver tenho aos montes, pensamento mórbidos ou suicidas passam longe. Viver é experimentar e isso me motiva muito a continuar. O que é estranho é saber que esse processo pode ser interrompido a qualquer momento.

Entendo a morte perfeitamente, apesar de não conseguir vencer a barreira de prestar homenagem em velórios e enterros. Sempre passo mal, sempre dou escândalo, transformo o ambiente triste em caos. Evito.

Não lido bem com o fato de não ter mais a pessoa ali, naquele lugar onde a conheci. Não lido bem com perdas. Não lido bem com mudanças.

Meu sentimento é um misto de tristeza profunda e racionalidade exacerbada. Lágrimas internas, entranhas que sangram, dor descomunal. Passa rápido, se instala profundamente.

Queria ser o que aparento, o cara durão que age com frieza e razão, afinal a morte está aqui, ali, a qualquer hora, a qualquer momento.

No momento, aqui, não é isso que sinto. Quero aprender a lidar. Parto pra não chorar. Mais.