Sunday, November 15, 2009

Versão original da minha coluna para o Guia da Semana


Fim de casamento?

Que São Paulo tem uma vida noturna ímpar, todo mundo sabe. Em qualquer noite da semana que se queira sair, encontra-se diversão. No entanto, algo mudou nos últimos meses. Depois da bem-vinda Lei Seca, que fez motoristas, à custa de blitz e bafômetro, perceberem o mal que podem causar dirigirindo embriagados, ou da outra lei que proíbe o cigarro em ambientes fechados, parece que os hábitos do boêmios se alteraram.
Sempre existiu o "esquenta" num bar para terminar numa festa ou clube noturno. O que noto é um diminuição do programa duplo. O que era um sagrado matrimônio virou um amizade colorida. Passada a fase de adaptações, que fez o movimento cair, nota-se que hoje as pessoas são mais seletivas. Não é uma regra, claro, mas começou a surgir um relacionamento monogâmico com relação ao destino escolhido.

As casas noturnas se adaptaram à Lei Antifumo mas isso levou muitos a avaliarem se vale a pena restringir o grupo de amigos que antes os acompanhavam em baforadas nem sempre bem acolhidas numa pista, para se dividir entre o fervo interno e as escapadas pro lado externo, com seu outro "companheiro".

Em bate-papo com amigos, acabo colhendo alguns dados. Fulano fumante não quer gastar duas vezes se tiver que se adaptar a duas regras distintas. Dependendo do lugar, poderá ter acesso à calçada ou terá que guardar suas tragadas pra quando a balada terminar. Encontrar um ponto seguro, um oásis do tabaco, cria conforto e reativa raízes. Mesmo assim, o fumante não vai deixar de bater cartão naquele lugar em que sempre encontrou os amigos e que adotou um regulamento mais rígida. Como resolver o dilema? Programando com antecedência o que irá fazer. O que era um impulso, hoje tem que ser dosado.

Mas e o não-fumante nesta história? Todos temos amigos fumantes. Impossível viver sem encontrar alguém que adora umas pitadas. O bom papo prevalece, assim como a solidariedade. Então, se hoje amigos fumantes decidirem passar num bar em que se tem facilidade de acesso ao cigarro, a harmonia reinará e por mais tempos ficarão ali. No dia seguinte, é a vez do amigo fumante ceder: tudo bem parecido com a regra do rodízio entre amigos que decidem quem vai dirigir e em que noite.

Aonde quero chegar? À conclusão de que estamos diante de uma mudança de hábito que altera o funcionamento da noite. Se é positiva ou se traz aspectos retrógrados, ainda não sei definir. Deu pra perceber que a noite perdeu um pouco do brilho, mas ganhou muitos pontos em civilidade. Como todo casamento, prazer e respeito devem encontrar um equilíbrio para que os parceiros continuem juntos.
Mais uma do Guia da Semana

Famoso quem?
A noite, lugar de diversão, atrai também pessoas que só tem um único objetivo: aparecer
Por Eneas Neto



Nesses tempos em que perfis sociais na internet têm mais peso que um currículo exemplar, na noite não poderia ser diferente. A fogueira de vaidades nas festas cresce à medida que a busca pela fama se torna cada vez mais um refúgio para pessoas que acreditam na necessidade de ser mais do que as outras.

Ser vip, esticar o pescoço para aparecer ao lado da "personalidade", gastar todo o salário do mês para pedir uma garrafa de Cristal... vale tudo para se destacar na multidão. Essa história é antiga. Diferenciar-se faz parte da competitividade humana, alimenta um prazer incontrolável que afaga o ego. O porém é que hoje, com a velocidade que as mudanças são impostas, os critérios mudaram, tornando-se também mais imediatos. Hoje já é ontem. Aquele bafo que gerou uma bela foto no site do clube da moda não diz mais nada, mesmo que se tente perpetuá-la na esperança de que o Google indexe em sua base de dados gerando uma referência, uma palavra-chave e, porque não, um trend no Twitter. "Ah, isso seria o máximo!"

Ser reconhecido faz bem a todos, principalmente quando se consegue por mérito próprios, à custa de bons anos de trabalhos, relacionamentos ou de troca de experiência . Ao menos funcionava assim. Agora dá pra se construir uma trajetória virtual sem mesmo ter aparecido nos lugares certos, nas horas certas. Dizer que foi, ler um pouco sobre o que aconteceu, mexer naquela foto que tirou com o famoso para não reconhecerem o lugar e... voilá! Já faz parte do seleto circuito dos trendsetter notívagos.

Claro que não é uma regra. Nem todo mundo que está na noite quer ser notado ou mesmo se preocupa com isso. Muitos querem apenas se divertir com os amigos, aliviar a tensão que o ritmo pesado da cidade imprime, extravasar. Eis que surge aquela atriz da novela e a câmera do celular coça pra ser sacada... Natural, não? Curiosidade alimenta a vida. O problema começa quando, em certos contextos, se faz questão de lembrar quão importante é para o indivíduo não ser comum, que ser especial é comprar um pedacinho do céu das estrelas. Que o importante é o que você pode e não o que você faz. Aí, a fotinho da personalidade não diz nada.

Encontrando velhos amigos na noite de São Paulo e dividindo essas divagações, alimento esperanças nas pessoas, mesmo vendo toda uma nova geração que se preocupa mais com uma identidade própria que, no fundo, é igual a milhares de outras que estão logo ali, no perfil dos amigos virtuais. Busca tanto ser diferente que se torna mais um no exército da mesmice.
A partir de agora, passo a republicar textos que publiquei em alguns sites. Abaixo segue o da minha coluna no Guia da Semana

Dublê de DJ
Rostos famosos usam a tecnologia como muleta e passam a discotecar mundo afora. Eneas Neto, DJ da noite paulistana, disserta sobre a legitimidade da função
Por Eneas Neto


Nas últimas semanas, muito se falou sobre o fato de Jesus Luz, o namorado da Madonna, ter "virado" DJ com uma técnica não muito ortodoxa. Em um festival no Nordeste do Brasil, ele teria, segundo um outro DJ, feito sua apresentação com CDs previamente mixados ou mesmo, de acordo com outras fontes, contado com ajuda de uma outra pessoa que, escondida atrás de uma mesa, realizava as passagens entre as músicas.

O fato é que milhares de pessoas que estavam lá queriam dançar.A maioria para conferir os dotes mais que perfeitos (não necessariamente técnicos) do rapaz. Segundo quem realizou e contratou Jesus Luz para o evento, tudo foi um sucesso e pouco importa a "técnica" utilizada, pois a galera aprovou dançando e gritando. Já DJs profissionais chiaram com diversos manifestos, abominando o que consideram um mero culto à celebridade.

Do ponto de vista de entretenimento, já cansamos de ver playbacks mais divertidos do que shows de artistas de "talento" que não conseguem parar em pé. Se a ideia é divertir, o público-alvo é quem manda. Muita gente nem sabe se um DJ mixa bem ou não, até se realmente tem voz ou se é fruto de produtores de estúdio. Ficar perto do famoso é o que importa hoje em dia?

Existe, sim, uma tendência a desejar o fácil e o acessível. Aliás, sempre houve. Dos artistas fabricados por gravadoras em décadas passadas a atores que se aventuravam em áreas que necessariamente não eram as deles, sempre houve tentativa de se criarem fórmulas infalíveis de sucesso. Não é de hoje que DJ não precisa ter técnica para comandar uma noite. A popularização da tecnologia permitiu, há pouco tempo, as festas de iPods, nas quais algumas pessoas simplesmente levavam lista pré-gravadas para tocar na pista de dança. Os formadores de opinião achavam o máximo. Qual a diferença em convidar alguém para "atacar de DJ", mesmo não sabendo nada além de selecionar músicas de que gosta e apertar o botão "play" ao lado de um técnico?

Não defendo o falso, o antiético ou a falta de profissionalismo. Só acho que exageram em cremar pessoas por se aventurarem na noite com o objetivo de entreter um grupo que já sabe o que vai encontrar, diferentemente de pagar ingresso para ver "aquele francês" inacessível e com técnica primorosa. Sou a favor da liberdade de escolha e pela pluraridade. Há mercado pra todo mundo.

Thursday, May 07, 2009

Hello, world

Hello, world

Tuesday, August 19, 2008

FiberOnLive no Vegas


FiberOnLive, upload feito originalmente por eneasneto.

Não, o blog não morreu, só está hibernando enquanto outras ferramentas de sociabilização on-line ganham mais atenção da minha parte.

Bom, quarta próxima, 20/8, tem festinha. Taí o flyer.

Monday, June 09, 2008

Boas músicas nunca se vão



Lembro que ouvia essa música no Madame Satã e tentava descobrir quem era o tal New Order atmosférico que o Marquinho MS tocava toda semana.
Como encarar a morte

Uma pessoa acaba de deixar esse mundo. A morte dela me pôs a pensar o quanto somos descartáveis e que estamos neste mundo para experimentar sensações diversas durante um período não estabelecido.

Encontrei a Clausa no sábado. No domingo à tarde recebo a notícia que ela havia falecido. Assim. Numa questão de horas ela sumiu fisicamente da minha vida, das minhas noites de sábado, de seu convívio familiar, do seu corpo. A vela se apagou. Virou-se a página. O livro que estava sendo escrito, encerra um capítulo, eterniza um personagem e me faz refletir.

Não acredito em destino, bem como não acredito em cartas marcadas. Acredito que posso não estar aqui amanhã, mesmo desconhecendo as razões disso. Sei que meus pais me deixarão ou mesmo que eu os deixarei, mas essa falta de controle não me faz bem.

Razões para viver tenho aos montes, pensamento mórbidos ou suicidas passam longe. Viver é experimentar e isso me motiva muito a continuar. O que é estranho é saber que esse processo pode ser interrompido a qualquer momento.

Entendo a morte perfeitamente, apesar de não conseguir vencer a barreira de prestar homenagem em velórios e enterros. Sempre passo mal, sempre dou escândalo, transformo o ambiente triste em caos. Evito.

Não lido bem com o fato de não ter mais a pessoa ali, naquele lugar onde a conheci. Não lido bem com perdas. Não lido bem com mudanças.

Meu sentimento é um misto de tristeza profunda e racionalidade exacerbada. Lágrimas internas, entranhas que sangram, dor descomunal. Passa rápido, se instala profundamente.

Queria ser o que aparento, o cara durão que age com frieza e razão, afinal a morte está aqui, ali, a qualquer hora, a qualquer momento.

No momento, aqui, não é isso que sinto. Quero aprender a lidar. Parto pra não chorar. Mais.

Friday, June 06, 2008

A volta dos que não foram - Serviços Web parte 1

E não é que o hpG ainda existe? Acabei de abrir um backup de 1999 que continha trabalhos de alguns clientes que eu atendia na época. Não, não estavam em disquetes. Há um certo tempo poupei as próximas gerações de computadores do contato nada amigo com o velho pedaço de plástico de 3,5" recheado daquela nojenta mídia magnética.

Mas voltando ao caso, encontrei fragmentos de sites que eram hospedados no hpG, a versão brasileira do Geocities no século passado, com links e, também, minha cópia dos favoritos do browser que nem lembro qual era (possivelmente Netscape). O mais interessante é que o alguns desses links ainda estão ativos. Nem o que eu adicionei aos favoritos no ano passado ainda estão, mas links de uma década atrás ainda abrem.

Fiz uma analogia com a sujeira que a naves que viajam ao espaço deixam na atmosfera. Dizem que já dá pra contar várias histórias com o lixo que é encontrado. O mesmo pode ser feito com os arquivos hospedados no hpG. A gente colocava qualquer coisa lá. Era uma aventura montar um site, escolher o layout, compor o conteúdo e depois esquecer o que fez, já que a Internet ainda nem era tão presente no nosso dia-a-dia.

Fiquei surpreso ao descobrir que o hpG ainda está na ativa e, depois de tantas mudanças, ficou no iG mesmo. Se funciona direito eu já não sei, mas minha pergunta é: ainda vale a pena montar um site pessoal na era dos blogs e redes sociais?

www.hpg.com.br

Sunday, June 01, 2008

Eu não baixo séries

Parece coisa do século passado. Como alguém tão plugado como eu não baixa séries antes de sua exibição no canais da TV paga?

A resposta está longe de ser simples, apesar de parecer. Eu não sou e nunca fui fã de programas de TV. Menos ainda de séries. Desde a infância era assim. Tinha os desenhos que eu gostava mas sem a fixação pelo ineditismo. Fiquei sabendo recentemente que Manda-Chuva e Pica-Pau tinham periodicidade! Não sou da geração das "temporadas". Essa palavra nem era usada. Enfim, não sou viciado em TV mesmo.

Por outro lado, algumas séries me cativam ao ponto de desmarcar compromissos para assistí-las. Foi assim com Twin Peaks, Arquivo X e Millenium. Agora é com Lost e (fico pasmo de gostar) American Idol.

Mas como fugir da turma que baixa e quer contar? Eu não me importo de esperar pela exibição no Brasil. Minha ansiedade não é exacerbada. Quero ter o direito de assistir aos programas como foram agendados nos canais da minha TV. Uma vez por semana, em doses homeopáticas de prazer e expectativa.

E por que eu falei que não era tão simples assim? Eu não aplico isso ao que já passou pela TV. Ganhei um box de DVDs com a primeira (lá vem a palavra) temporada de A Sete Palmos depois que a série nem passava mais na HBO. Devorei os quatro primeiros anos em poucas semanas e partirei agora para o quinto e derradeiro.

Incoerência? Pode ser. Tem lógica pra mim. Os boxes de DVDs são cápsulas que podemos nos dar o direito a overdoses quando quisermos, sem o compromisso de faltar ao encontro semanal. Deixo pra eles a minha compulsividade e reservo ao que vai vir, no tempo e espaço da minha TV, a expectativa que tanto gosto de sentir.

Wednesday, April 23, 2008

A busca pela novidade...



...nos leva à antigas referências.
Tudo tão rápido

Só aqui parece que as coisas andam devagar. Adoro esta falta de compromisso com blogs, de não ter pressão pra postar, não fazer disso aqui uma revista on-line. Quero desapontar alguns e surpreender poucos.

Aderi ao microblog. É tão rápido quanto o tempo livre que se esgota antes de eu perceber. Frações de segundo de lazer numa vida cada vez mais on-line. Mas lá também pouca me importa quem lê, quem acha graça, quem me segue. Gosto de contar histórias fragmentadas e nada como uma ferramenta dinâmica pra isso.

Vejo quem estiver por aí no Twitter. Aqui deixo mazelas e divagações.