Wednesday, September 26, 2007

Warm...



Estou tão vidrado em The Normal novamente que, procurando por registros em vídeo deste proto-electro-punk inglês, encontrei essa versão com uma turminha da "pesada".

Thursday, September 20, 2007

Tristeza

Viagem é feita para descobrirmos coisas novas, hábitos dos moradores, lesar muito, descansar, encher a cara em algumas noites mas não combina com tristeza. Aliás, é um sentimento proibido quando se está bem acompanhado, num lugar bacana e se divertindo muito.

Foram apenas dez minutos. Tempo de entrar, sentir uma atmosfera densa porém totalmente asséptica pela falta da presença de humanos. Espalhados pelos arredores daquela enorme sala, milhares de corpos metálicos esperando por um mínimo de atenção. Um rapaz entra e rapidamente percebe que cometeu um engano. Não era o que procurava. Novamente a sala fica vazia. Apenas uma pessoa responsável por manter tudo em ordem permanece. Posso dizer até que estava de mãos atadas, pois nada pode fazer.

É assim foi minha sensação ao entrar no que já foi uma das melhores lojas de CDs de Barcelona. Há menos de quatro anos, gastava ao menos três horas em cada uma das lojas que costumava visitar nas viagens pela Europa. Sempre encontrava muitos discos e DVDs. Hoje foi uma experiência péssima. Nada me motivava a gastar vinte euros naquela compilação bizarra de hits espanhóis dos anos 80. "Acho na Internet", pensei. Saldo da viagem: dois DVDs e um box limitado com 10 CDs.

Senti pela primeira vez como o mercado está em mutação. Claro que acompanho tudo o que ocorre no seguimento, que as vendas de discos caem todos os anos, que as pessoas começaram a baixar e até pagar por isso mas ainda não tinha conseguído entender como isso afetaria esses pólos de troca de informação chamados simplesmente de lojas de discos. Aqueles encontros semanais para bater papo com amigos distantes, as indicações do vendedor, as novidades espalhadas nas prateleiras... Sim, deu saudade. Justo eu, uma pessoa totalmente a favor da tecnologia, que entende a troca constante de plataformas e tal.

Me senti fragilizado e muito triste. A música sempre vai existir, mas como vamos interagir com ela, isso ainda está sendo escrito. Engraçado, antigamente bastava dar o "play", não?

Tuesday, September 18, 2007

Trash 80's, a versão catalã

Em 2005, um frequentador da festa que se mudou para Barcelona propôs uma edição da Trash 80's em terras catalãs. De uma maneira improvisada, mas feita com muito carinho, a festa rolou num bar bacana e atraiu muita gente, Depois de um hiato de dois anos, voltou-se a cogitar a realização da festa. Desta vez o lugar seria maior e contaria com uma equipe de produção.

Quando fiquei sabendo que poderia realmente acontecer, não pensei duas vezes: queria participar. Havia dois anos que não tirava férias e, workaholic como sou, nada melhor do que uma viagem que fosse um híbrido de diversão e trabalho.

O maior temor pra mim era a possível reação do público. Apesar de contar com muitos brasileiros, imaginei que nem todos fossem entender a proposta de festa.

Cheguei em Barcelona e não vi nenhum cartaz ou flyer espalhados nos "points". Fiquei um tanto temeroso, mas mesmo assim confiei na turma local, pois sei que a Trash existe em boa parte pelo boca-à-boca.

Encontrei os trashers de Barcelona, Gus e seus amigos, e todos superanimados e numa grande expectativa. Duas horas de espera para o bar abrir, pra que pudéssemos montar setup de som e decor, surge a primeira boa surpresa, O lugar é lindo, dois ambientes bem definidos, sendo um com bar, pista, camarotes e palquinho (sim, aqui também tem um), enquanto o lounge (atendendo minhas preces) é área reservada para fumantes. Sim, aqui ninguém fuma na pista de dança. Bom, até certo momento....


Dividimos o som em três horários: Giacomo abrindo, Eu no meio da noite, Henri fechando. OK, tudo certo vamos começar a festa. Bem, não foi assim... O equipamento de som ficou muito a desejar. Antigos CDJs Denon que não lêem todo tipo de mídia já me assustou. O técnico de som, apesar de muito solicito, não sabia como funcionava o Serato Scratch Live (eu só levei esse equipamento e o note). Arregacei as mangas, montei, testei, tudo certo. Agora sim, vamos começar.

Giacomo abrindo, como planejado, optou por uma mescla 80's de pop e alternativo que nunca fizemos na Trash, afinal é uma festa que propõe o lado divertido dos anos 80 e não o sério. Mesmo assim, cumpriu bem sua parte.

Na hora que comecei a tocar, problemas técnicos surgiram. O Serato nåo rolava bem. A casa, a esta altura, já estava lotada e o som abria o bico. Algumas músicas depois, os CDs do Serato não conseguem mais ser lidos pelo Denon. Bate o pânico. Pedi pro Gus levar o case dele, em caso de emergência, o que realmente aconteceu, e o Denon mostra as garras novamente. Nem todas as mídias conseguem ser lidas e pra me apavorar mais, case é algo muito individual. No caso do Gus, muitos CDs não tinham os nomes escritos! Bom, consegui contornar e encerrar o set sem que ninguém percebesse o caos.

Henri entrou na sequencia com um progressive house. Apesar de constar no flyer que iria tocar isso, muita gente reclamou dizendo que era uma festa 80's. Depois de muito ouvir, volto ao som e ponho a pista pra ferver com hits clássicos da Trash, como Paquitas, Balão Mágico, Grafite, Magal e os internacionais, Madonna, Culture Club, etc.

Pra minha surpresa o sistema de som frontal é desligado, ficando apenas minha caixa de retorno servindo de som ambiente até o término da noite. O motivo: segundo o dono do Café Noir, as festas ali terminam por volta de 3h e já eram quase 4h! Bom, aquela história que a noite não tem hora pra terminar aqui em Barcelona não se confirmou.

Independente disso, a festa foi ótima, as pessoas gostaram (pelo menos os feedbacks têm sido positivos) e esperamos que nas próximas acertaremos as pequenas falhas dessa ediçã0.

O que mais me agradou foi que o espírito de festa de amigos esteve vivo durante toda a noite. Fato que comprova a diversão garantida mesmo cruzando o Atlântico.

Monday, September 17, 2007

Barcelona

É a terceira vez que venho à capital catalã. A primeira a ficar mais do que cinco dias. Das outras vezes, foi um misto de trabalho e lazer com tempo espremido, que não permitia explorar a cidade como normalmente gosto de fazer.

Não que o trabalho ficasse de fora nesta. Um dos motivos foi realizar uma edição da Trash 80's por aqui. Comento isso noutro tópico. Agora posso passar mais quase duas semanas na regiåo e conhecer o dia-a-dia catalão.

Já de cara quebro um dos mitos: que a diversão em Barcelona não tem hora pra acabar. Como nas outras vezes fiquei perto das Ramblas, sempre tinha um ou outro lugar pra comer mas mesmo assim fechava cedo. O que se confirma agora. Estou no bairro conhecido com Born, uma área de La Ciutat Vella que vem sendo redesenhada e promete ser um dos bairros mais legais pra se viver em Barcelona - pra quem gosta de buxixo. O problema pra os novos moradores tem sido a presença das colônias de imigrantes que se espalham pelos cortiços fincados em casa seculares que, agora, se sentem ameaçados com a possibilidade de expulsão do bairro. Típico conflito social até em São Paulo vivenciamos.

A vantagem de morar por aqui é a proximidade de tudo, o ritmo de vida, parques maravilhosos por perto. A desvantagem, um pouco de barulho e muita muvuca turística, apesar de não estar no Barri Gotic.

Agora vou sair, explorar La Ciutadella.

Tuesday, September 11, 2007

Mas eu te disse, eu te disse

Por que eu escolhi a TAP pra viajar? Não queria ficar mais que uma hora num vôo de conexão, seria a resposta. Eu sempre escolho Lufthansa e British Air. São lindas, confortáveis, cordiais, um pouco mais caras é verdade, mas estresse zero. Minhas experiências com Ibéria e Alitalia foram péssimas, mais de uma vez em cada. Já descartada. Todas as companhias fariam conexões de pelo menos quatro horas e eu bem sei que "caos aéreo" não é uma especialidade apenas brasileira. Na TAP, apesar dos pesares, sempre viajei tranqüilo. OK, foi uma vez só. Mas foi tudo bem!

O drama começa quando comento isso com dois amigos da "área". Um me avisa que minha opção "não poderia ser pior". O outro me diz que a TAP é OK mas o problema "é o extravio das bagagens".

Ainda tenho que enfrenta uma agente patza que esquece que tenho quase dois metros de altura e "não repara" que o assento reservado é entre as poltronas centrais.

Bom, em todo caso, desejem-me boa viagem. Sei que os fins sempre justificam os meios. No meu caso, bem no meio mesmo....

Monday, September 10, 2007

A mesma praça, o mesmo banco...

Levante o dedo quem nunca teve problema com a Telefónica. Não dá pra negar o salto que a comunicação deu depois da abertura do mercado. Lembro que na época da Telesp, aqui em São Paulo, a gente fica anos esperando por uma linha que nunca vinha. Tinha que ir pro mercado negro, em que os preços eram exorbitantes e as pessoas usavaam o telefone como investimento.

Hoje temos uma linha fixa em poucas horas. Quem bom, né? Eu não acho. Não existe concorrência direta em telefonia fixa e os espanhóis deitam e rolam. Cobram taxas que não existem, inventam serviços, dificultam qualquer tipo de cancelamento desses serviços ou mesmo da própria linha. Um verdadeiro deserviço.

Estamos falando do Brasil, claro. Opa, não fique tão certo disso. Como estou indo pra Barcelona, resolvi pesquisar um pouco sobre wi-fi, hotspots, telefonia, entre outros serviços de comunicação. Qual foi minha surpresa quando encontrei esse texto aqui, ó:

http://vidaembcn.blogspot.com/2007/03/telefonica-espaa.html


Parece que o buraco é bem mais embaixo... Graças aos deuses da tecnologia, cada vez menos dependo dessa companhia pra me comunicar. Espero ter a liberdade total, inclusive nas minhas empresas. A gente sempre odiou a falta de opções, mas parece que tem gente que prefere que as coisas continuem assim. Com certeza, a Dona Telefónica não fará parte da minha vida por muito mais tempo. Da Vivo eu já me livrei.

Monday, September 03, 2007

A mágoa da conexão discada, no já longínquo ano de 2002

Eneas diz:
Quinta-feira, Maio 09, 2002:
Até quando vou ter que aguentar esta vida sem conexão 24h?
cyber vaca // 21:49 comments
Eneas diz:
hahahahaha
Eneas diz:
mágoa da conexão discada
Leco diz:
uma pessoa com conexão discada jamais poderia se autodenominar cyber nada, vá!
Eneas diz:
era em casa
Eneas diz:
numa era pré speedy
Leco diz:
2002
Eneas diz:
só tinha conexão dedicada no escritório
Leco diz:
agora que eu vi
Leco diz:
eu mesmo fui ter speedy bem depois que a maioria das pessoas, em 2003
Leco diz:
aliás, eu me resolvia muito bem com conexão discada.. mas como a trash obriga as pessoas a se conectarem, providenciei uma conexão boa..

Como vivíamos sem conexão dedicada, hein?

Friday, August 31, 2007

Machina Festival II

E não é que vou me aventurar novamente pela "praia" da música industrial? Entre diversos projetos, de música experimental à baranguice 80, dos ritmos classudos ao minimal electro, mas não deixo de fazer festa para os órfãos do Zensor e Cri Du Chat.

Foram anos de um trabalho bacana que não pode ser esquecido. Numa época que novidade dura cinco segundos, artistas que escreveram um legado merecem tratamento VIP. Foi assim com o Harry e The Neon Judgment em 2005, agora será com The Cassandra Complex e Simbolo.

O Simbolo (sem acento mesmo) faz 19 anos hoje! Fiquei sabendo disso numa troca de e-mails com o Martin, líder do projeto, quando estava confirmando a participação desse ícone da música industrial brasileira para a segunda edição do Machina.

"Caramba, quase duas décadas", pensei. Mas quando lembro que a Cri Du Chat surgiu no final da década de 80, me assusto ainda mais! Como o tempo passo rápido! Hoje, graças ao orkut, LastFM, Myspace, entre outras comunidades, mantenho contato com muita gente que nem sequer conviveu (alguns nem nasceram) na época do selo ou mesmo do meu programa de rádio. Pessoas que admiram um trabalho que não vivenciaram quando foi lançado.

Associo isso aos discos mofados do Pink Floyd, Automat, Donna Summer e Beatles que meus tios ouviam quando eu era pequeno. Na adolescência eu execrava a possibilidade de ouvir essa turma, pois queria estar ligado a artistas do meu tempo! Nunca me coloquei na posição de "dinossauro da música eletrônica" mas ao receber scraps dessa turminha nova, percebo que o que eu tinha era medo de encarar as referências sonoras. Medo de gostar das músicas que eram consideradas "defasadas" demais. Pura bobagem. A turma de hoje não se prende mais ao sincronismo de lançamentos que as publicações antes impunham. A própria internet proporciona o saudável lapso de tempo.

Bom, mas o assunto é o Machina Festival, não? Sim, O segundo nome é a banda do Rodney Orpheus qu eu simplesmente amo de paixão. O nome Cassandra Complex nem foi cogitado para o Machina II, já que tava tudo certo com o Front 242. Os belgas cancelaram, veio o baixo-astral e numa conversa informal com o Ivan da Soulshadow ele lança, "e o Cassandra?". Putz! lembrei qu e o Codenys tinha remixado os ingleses e pedi o contato do agente que prontamente me respondeu e fechamos tudo!

O Machina Festival é uma festa para matar saudade dos bons sons, uma forma de mostrar pra uma nova geração que antes de nu-metal já existia industrialismo e que esses redescubram gente que faz trabalho sério há tanto tempo e continua na ativa.

O festival será no dia 24 de novembro e, além do Cassandra e Simbolo, mais nomes serão anunciados para o espaço "Live", dedicado a shows. Ainda teremos o "Basement" que é a pista na qual DJs da cena alternativa poderão tocar a vontade seus hits e obscuridades, e o "lounge" com estandes de CDs, DVDs, roupas, etc.

No dia 12 de setembro daremos a largada no projeto, mas como todo pai, fico ansioso pro meu filho vir ao mundo logo!

Tuesday, August 28, 2007

Divagação sobre conexões

Numa lista de conexões possíveis, reparei o quanto é complicado o jogo das probabilidades. Hoje tenho 40 anos. Pra mim nada mudou, continuo a ouvir música, trabalhar e tentar levar uma vida bacana. Antes dessa tal de internet, pessoas com o mesmo gosto musical que eu se aglutinavam freqüentando lojas de discos, ouvindo rádio, indo a festas e clubes, lendo revistas. A possibilidade de encontrar alguém interessante estava atrelado ao convívio social.

Hoje tenho centenas de amigos no orkut, outras dezenas no LastFM ou no Myspace, fora a turma do MSN (muitos migraram do ICQ), a gangue dos anônimos "daquelas" comunidades mais, diremos, pessoais... Somam-se, ainda, milhares de pessoas que têm algo em comum. O jogo de possibilidades se amplificou e até tornou o relacionamento direto uma utopia.

Se por um lado consigo o que eu quiser com um clique, já não posso dizer o mesmo de um saudável bate-papo (virtual mesmo) no qual a diversão seria a troca de conhecimento entre duas ou mais pessoas. Na era pós-Google, todas as respostas estão disponíveis. Parece que tudo se tornou previsível.

Mas o que isso afeta o meu dia-a-dia? Com certeza a possibilidade de algo se tornar apto a ser descoberto sem que as informações sejam tão precisas. Se antes a subjetividade e, porque não dizer, o "chutômetro", abriam possibilidades de escorregões homéricos ou mesmo a construção de um ícone que nem existia, hoje o conto de fadas cai na primeira busca.

Será que busco um romantismo perdido? Eu, que sempre fui adepto ao novo, à informação imediata?

O dilema de possibilidades me intiga mais do que a quantidade de informação absorvida em casa segundo.

Experimentar sempre, mesmo quando o que parece incerto, tem a resposta na ponta dos dedos. Em questão de microssegundos.

Wednesday, August 08, 2007

A arte do entretenimento no Brasil

Nunca tanta gente veio fazer show no Brasil como nos últimos anos. Parece que todo mundo descobriu o enorme mercado que temos por aqui. Há uma década a gente contatava nos dedos quem tinha dado pinta pelos palcos brasileiros, mas agora toda semana tem algo pra ser visto. E não são só shows musicais. Têm espetáculos multimídia, montagens da Broadway, exposições diversas, uma verdadeira fauna cultural.

E os DJs e produtores? Se antes tínhamos que esperar pelos festivais, agora todo dia tem um grinso se apresentando. OK, o dolar está mais barato, as casas se profissionalizaram, a Internet tem ajudado muito a descobrir coisas novas e tal.

Aproveitando esse boom, eu também me aproximei desse universo. Com festinhas eletrônicas como Silver Tape e Machina nomes como Amduscia, Antipop, Neon Judgemmet e Syrian vieram se apresentar por aqui. Infelizmente nem sempre dá pra fazer algo viável, mesmo com os custos mais baixos. E o maior problema, por incrivel que pareça, é o público que continua reclamando que não tem show "bom" por aqui!

Faço uma reflexão constante sobre isso. Pra ver um produtor alemão que nunca lançou um álbum, alguns clubes superlotam. Ao contrário, pra ver um cara fundamental na cena eletrônica de Nova York, com álbuns lançados e respeito mundo afora, poucas pessoas comparecem.

O que parece é que há uma desassociação entre entretenimento e cultura. Comecei o post falando disso, que essa invasão gringa reflete num relâmpago cultural nunca antes visto mas em contraponto, as pessoas que digerem essa "cultura" parecem guiadas por vozes ditatoriais que impedem o livre arbítrio. "Disseram que isso é demais, claro que vou ver." Nunca houve tanta alternativa mas parece que esse fator anda anestesiando o público.

Excesso de informação pode ser uma via de massificação, pois perde-se a referência e o fluxo vai para um afluente que sempre desemboca naquele rio de águas mansas da mesmice.

Então, qual é a arte do entretenimento? O dilema diversão e cultura parece permanecer num questionamento eterno. A mim, cabe apenas divagar sobre e buscar as tais alternativas. Afinal, um número infinito está bem diante dos nos olhos, como nunca em nossa história.

Monday, August 06, 2007

Zensor ganha tributo



Há 17 anos nascia o Zensor. Era um programa de rádio semanal transmitido pela 97 FM, uma rádio nova em Santo André (cidade do ABC paulista) que tocava só rock na programação. Depois de várias participações em programas da "casa", eu e o Ricardo Bola ganhamos uma hora semanalmente pra tocar novidades da emergente cena alternativa. Ambos eram DJs da "Boatinha" do Tênis Clube de Santo André, um lugar clássico na noite paulista, e era natural que novidades musicais fizessem parte de nossas vidas.

Enquanto o Bola gostava mais da parte experimental, do rock soturno e das guitarras, eu era mais voltado ao som eletrônico. O nome do programa, Zensor, não remetia a nada inicialmente. Era sonoro e achamos gravado num vinil do Sonic Youth. Mas sem perceber na hora, tinha muito a ver com o que a gente produzia: um fanzine transmitido numa rádio, sintonizando novas tendências musicais. O "Z" veio do zine, e "ensor" de sensor, objeto que capta e transmite freqüencias.

A resposta do público foi aumentando e a parte eletrônica também, o que culminou com a saída do Bola quando este criou o "Rough", totalmente voltado ao experimentalismo e guitarras de todos os tipos. Zensor ganhou a cara que virou sua marca registrada: impulsionar um cena de música eletrônica alternativa que ficava a margem até mesmo da emergente cena dançantes das pistas.

Pelo fato de cuidar de um selo de música eletrônica, a Cri Du Chat Disques, e fazer viagens constantes em busca de novidades para a minha loja de discos Muzik, o Zensor era abastecido semanalmente por muita música que não tinham veiculação no País. Não existia internet, as pessoas saiam para o clubes pra descobrir música nova, freqüentavam lojas de discos para trocar material e bater papo sobre o que estava acontecendo. Com isso, um programa de rádio com esse perfil conquistou um público fiel.

Foram 4 anos de muitas entrevistas, raridades, alguns deslizes, promoções bacanas, mudanças de planos econômicos que afetavam nossos bolsos (e dá-lhe fita cassete), mas fico feliz em saber que até hoje têm pessoas que comentam desse trabalho, sempre feito sem qualquer pretensão.

A festa que acontecerá no próximo sábado , talvez seja uma boa oportunidade de reviver um pouco isso tudo, ainda mais com o show do Simbolo.

Muitos me perguntam porque eu não falo um podcast do Zensor, já que hoje em dia seria muito fácil manter essa freqüência semanal. mas me questiono se há necessidade. Temos um rede internacional que permite que a gente tenha contato imediato com o que está acontecendo em qualquer lugar do planeta. As rede de P2P se encarregam da troca musical e excelentes rádios e comunidades online dão muito bem conta do recado. o que seria legal num podcast é a possibilidade de filtro. Isso sim é a água nesse deserto. Perceber o que é legal, dar sua visão dos fatos.

A questão é que musicalmente não estacionei com o final do Zensor. Absorvi muitas influências nessas últimas décadas e talvez aquele fiel público não perceba essas mudanças. Ter um programa para tocar o que já tocava não faz sentido, foge dos preceitos básicos que moviam o Zensor. Com certeza raridades de décadas passadas fariam parte, mas eu sempre olho pra frente. Agregar é ser inteligente e é o que me motiva a continuar ouvindo música.

Baixe os playlists com todas as músicas que tocaram no programa em
http://www.fiberonline.com.br/tmp/zensor.zip

Wednesday, August 01, 2007

Rock? 80's? Electropop?

Bom, se você não está se questiona mais sobre estilos, vale a pena dar uma conferida no trabalho do francês-com-nome-de-português Joakim. É da turma da Kitsuné e altamente recomendado.
Além da ótima "Lonely Hearts" (clipe abaixo), ouça também "I Wish You Were Gone".

Myspace:
http://www.myspace.com/jimibazzouka

Tuesday, July 31, 2007

Front 242 cancela tour latino-americana

Em primeira mão comunico que o Front 242 cancelou a tour latino-americana que faria a partir de outubro.

Apesar de já ter acertado tudo, infelizmente não vai rolar. Sugeri que transferissem, ao menos, para o começo de 2008 quando farão mais uma tour americana e estão estudando o caso.

Os motivos alegados foram a desistência de dois promotores (Chile e Equador) e o curto prazo pra uma promoção do evento (em outros países). Mesmo assim, os outros promotores, incluído a Fiber, tentaram negociar datas extras em seus respectivos países (cogitei o Rio), mas a banda alega não ter tempo hábil para isso.

Isso me deixa muito frustrado, pois desde o final do ano passado estamos negociando a vinda dessa banda pra cá.

O que me resta é sugestões de bandas que eu poderia trazer para a segunda edição do Machina Festival que, devido a isso, deverá mudar de data também (possivelmente novembro). Já aviso que Skinny Puppy e Front Line Assembly estão fora de cogitação.

É isso.
Reclamar não adianta. Tem que fazer.

Lendo um desabafo do Hansen, do Harry e Bad Cock, comecei a me questionar sobre a retórica da reclamação. Como brasileiro reclama. Se está sem dinheiro, pragueja. Se está empregado, almeja algo melhor. Se está casado, reclama do companheiro e almeja outras experiências. Será que é fruto de uma insatisfação coletiva ou instrumento de afirmação social?



Então, eu também cansei. Cansei de tanta reclamação! Não tiro o mérito da campanha, não! Apoio totalmente, mas cansei de pessoas que reclamam e não fazem nada, achando que algo salvador vai cair do céu ou do Governo.

Já falei aqui da cidadania. Começa por aí. Longe de ser manifesto de elite, já que moro num bairro supostamente elitizado e que a falta de respeito impera nas redondezas. É fácil uma corja que se diz de "esquerda" e que apóia sem isenção o Governo atual dizer que isso é coisa da "elite". Elite são eles! Tentam impor ao povo que o bom é ser "pobre e honesto", quando esse "pobre e honesto" invade terreno em áreas de Aeroporto, joga lixo nos rios, tenta levantar vantagem da tia que ganhou um extra no fim de semana. Qual a diferença entre essas classes? Nenhuma. Todas convergem para a falta de educação básica, do respeito ao cidadão da auto-análise.

Não me venha falar que não tiveram chance. Não estou falando somente da classe D e E, não! Falo de todos: dos meus vizinhos às vítimas de acidentes aéreos. Daquele cara que ganhou promoção porque pensou nele o tempo todo e esqueceu que o companheiro era arrimo de família. "Foda-se", não?

A minha definição para a síndrome da reclamação é simples: letargia e falta de cidadania.

Quando isso mudar, garanto que as coisas melhoram. Ah, melhoram....

Tuesday, July 24, 2007

Silver Tape de volta




Sim, sim! Quinta-feira agora, 26/7, tem mais uma edição da Silver Tape, festinha eletrônica criada por mim e pelo Luis Depeche.

Nesta edição contamos com o live da Madame Mim e com o Edu Corelli como DJ convidado. Uma cambada de amigos fazendo aniversário coletivo além da despedida da Ju Negão, minha irmãzinha que volta pro interior pra cuidar da linda Julia (linda, linda, linda).

O que ouvir? Putz, tem tanta coisa legal que anda aparecendo bem como mexer no fundo do HD (sim, Serato é tudo) pra puxar aquelas pérolas que casam muito bem com a música eletrônica atual. Nomes aos bois: The Knife, Adonis, Simian Mobile Disco, Telex, Boys Noize, Vandalism, Gui Boratto, entre outros.
Digitalism - Pogo
Música chiclete que não paro de ouvir/ver



Quando conheci o duo aposto não tinha essa história de New Rave, não... O duro é olhar pra Folha Teen (bom, o nome já diz tudo) incitando a nova moda colorida e, pra minha surpresa, eis o Digitalism no rol bem como o Hot Chip! Bom...
Eis que recebo uma mensagem no MSN de um amigo dizendo que estava no meu blog e que o pobre interface virtual estava abandonada mas, que mesmo assim, ele veio buscar por alguns links e dicas por aqui. Me senti mal, muito mal.

Como uma pessoa que sempre viveu de informação começa a relaxar dessa maneira? Claro que busco uma resposta e ela está na minha cara, ou melhor, na minha tela. Tenho nada menos que 8 abas do browser abertas em temas tão díspares como "fomatar HD no Mac para ser lido no PC", "Miss Trash 2007", "Animotion best tracks", "musicGURU", além, é claro, do iTunes, do MSN e do Blogger.

Dá pra ter foco? Não, nåo dá, então vamos lidar melhor com tudo isso. Primeiro: comprometa-se a voltar ao saudável hábito de escrever, sem abreviações, sem emoticons e sem anglicismos (é o mais difícil). Tome consciência que ter um blog é se comprometer com a informação. Se ela será útil para alguém, não lhe cabe julgar. A massiva indexão dos robôs de mecanismos de busca já processaram todas as suas palavras que viraram mercadoria virtual de algum buscador.

Se antes valia a máxima "saia da frente do computador e veja a vida lá fora", cabe agora um "faça algo interessante e tente acabar com a falta de conteúdo vazio ao seu redor", porque desligar esse computador você não vai mesmo.

Monday, June 18, 2007

OK, ok... To vivo sim...

Toquei no Autobahn no sábado passado e a missão era trazer de volta um pouco dos sons que rolei no começo da festa, na década de 90. Como a idéia do Autobahn é ser uma festa 80’s, fiz um set que ficou entre o final da década de 80 e o começo da de 90. A ordem não está exata a não ser o final que deixei a discotecagem pro Kid Vinil deixando as coisas entre as trevas e o rock.

New Scene - The War In Vietnam (Out Of Control II)
Front 242 - Never Stop
Fatal Morgana - Attention
Bigod 20 - the Bog
Neon Judgement - TV Treated
Data-Bank-A - Crack Dream Over
Force Dimension – Dust (12”)
a;Grumh - Generation
Front Line Assembly – Digital Tension Dementia (12”)
SA 42 - Why Not
Khommand 45 - Battle Zone
Public Relation - Eighty Eight (Extended Mix)
Umo Detic - Fahrenheit (Extended Mix)
Klangwerk - Klangwerk (Mix)
And One - Second Voice (Teuer Mix)
Nitzer Ebb - Control I'm Here (razormaid)
Harry - Genebra
Dominion - Isolation
Trisomie 21 - The Last Song (live)
Ghost Dance - Heart Full of Soul (Extended)
The Cult - Wild Flowers (12")